sábado, 28 de setembro de 2013

Declare-se

Boa noite, meus queridos

Diante de um dia-a-dia que me transforma cada vez mais, fico sem palavras para falar de muita coisa (boa) que vejo e vivo, semana a semana. Embasbacado, vivo. Porém, ao ler algo tão simples e verdadeiro, não posso evitar de compartilhar. Segue um texto que, espero, contribua para que todos possam refletir com mais detalhe sobre o que falam e pensam de si mesmos. Foi um ótimo setembro para mim. Espero que para vocês tenha sido, no mínimo, tão bom quanto.

Um grandessíssimo abraço,

E que venha outubro.

http://socialistamorena.cartacapital.com.br/nao-se-assuma-gay-declare-se-gay/



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Medos e raivas

Após finalização do processo de criogenia que estava acontecendo no RS, volto. E, ao contrário do que o título da postagem indica (porque sou desses), estou aqui sem medos e sem raivas. Mas, esse é o tema.
Um tempo (e até bem pouco) atrás eu lia e lia e relia blogs sobre a temática homossexual, tentando entender e encontrar pessoas que passavam pelos mesmos dramas que eu. Um assunto, em particular, veio em várias pesquisas, vários blogs e etc e tal. Era sobre o fazer amizades ou se abrir com amigos que o aceitassem bem. E, claro, o quanto isso fazia bem para a gente e facilitava a auto-aceitação, que é o mais difícil. Pois bem, é por aí mesmo. O primeiro amigo que fiz no meu processo de aceitação própria também estava na mesma fase que eu. Foi de verdade muita sorte (ou não... aliás, acho que não mesmo) termos nos conhecido quando nos conhecemos. Acho que ambos foram fundamentais para a evolução pessoal um do outro.

Quando não podíamos falar nada com ninguém e ser naturais com ninguém, podíamos ser nós mesmos um com o outro. E, assim, começamos a conhecer as festas gays de Porto Alegre e um lado da gente e da vida que a gente se borrava de medo. Devo dizer que, acredito mesmo, tive um processo de autoconhecimento muito legal.

Mas, como nem tudo são flores... e, para quem passa pelo que eu e vocês passaram/passam/passamos... nesse período, tive momentos muito ruins. Daqueles que bate uma "bad", como falamos, foda. A culpa depois de ficar com um cara, a vergonha de ser quem se é. Coisas que ninguém deveria sentir. E ele me puxou de volta e fez ver o quanto a vida queria me fazer feliz. O que é algo que tenho plena certeza: a vida está aqui para sermos felizes.






Com o tempo, eu fui me aceitando. Hoje, certamente, ainda estou em processo. Na verdade, não sei se alguém se aceita plenamente algum dia na vida. E isso não se aplica apenas à sexualidade. Falo em geral mesmo. E, quando eu achei que estava tudo bem - e, às vezes, confesso, sinto um frio na barriga de medo por estar tão feliz e "cômodo" para este momento, medo de alguma qualquer coisa dar errado - ele, que apesar de se demonstrar mal resolvido em várias ocasiões, caiu numa baita "bad". Bem pior que as minhas. Aí que entramos na raiva. Enquanto eu conversava com ele pelo telefone, aproveitando uma saída a trabalho no meio da tarde, eu pensava: "Que merda de mundo, que merda de sociedade. Que merda. Que raiva. Ele não merece passar por isso e se sentir assim." Eu já tinha sentido aquilo várias vezes e tinha esquecido um pouco do que é aquela sensação de sentir vergonha de mim mesmo. De não me conformar.



Ele já dá sinais de recuperação. Ainda bem que não está durando muito. Mas, com tudo isso, eu fiquei mais forte. Peguei raiva. A raiva é um grande motivador. Aprendi isso na época do vestibular, meu pai sempre falava: "filho, fica calmo, quando tu pegar raiva tu vai passar". Foi mesmo. Rsrsrs. Moral da história? Fuck the police, sejam felizes. Sejamos todos. Conheçam gente. Confiem... porque o pior que pode acontecer é decepção e isso pode vir de quem tá do lado, tipo o melhor amigo, então... o que vier, é lucro. E dos bons.

Minha Heineken manda beijos. (o que me dá um desconto poético)

Eu também.

Bom fim de semana

PS.: já postei essa música, mas não nessa versão. it's fuckin' awesome.

domingo, 11 de agosto de 2013

#vidaloka

Alô alô, graças a Deus!

Após um período breve de recolhimento forçado, estamos de volta para a nossa programação (not at all) normal.

Há algum tempo quero escrever um texto melhor, mais adequado a este ambiente que me proporcionou tanta coisa boa. Nunca sei exatamente o que usar de tópico. Não sou escritor mesmo, apenas um metido. Me falta disciplina para transformar isso aqui no algo a mais que eu gostaria. Acima disso, falta tempo. O "muito trabalho" e minha vidaloka, digo, vida dupla, tem (têm?) me ocupado em demasia. Mas, não quero me fazer ausente aqui. E, apesar da falta de tópicos, alguma coisa sempre vem à mente. O momento que estou vivendo tem me permitido várias reflexões sobre a vida - que surpresa em relação aos outros posts.
Então, em breve pretendo dar um up nisso aqui e sair da mesmice que tem sido. Porque olha... tenho história pra contar.

Abraços,

Bom domingo.

domingo, 21 de julho de 2013

Ama-te

 Li isso e não poderia deixar de postar aqui.

"Ama-te, respeitando-te, e agindo de maneira que não te envergonhes de ti mesmo quando submetido ao crivo da consciência." Joanna de Angelis

Paz de espírito. Sentimento impagável.

Boa semana a todos! Que seja inspirada e inspiradora.


sábado, 13 de julho de 2013

Balanço

Por vários motivos, e alguns falarei a seguir, hoje estou extremamente tocado, digamos assim, e sentindo uma grande necessidade de escrever. Pensando um pouco mais, ocorreu-me que o blog completa seis meses em três dias. Juntando tudo, julgo mais que necessário, para mim pelo menos, fazer um balanço de tudo que aconteceu desde então.
Em primeiro lugar, o blog surgiu como uma forma de explorar a mim mesmo e minhas ideias de uma maneira mais ampla e menos hipócrita. Um lugar onde não existia meu eu construído, aquele que construí ao longo da vida e do qual todos que me rodeiam tem expectativas fruto do "óbvio". Era uma forma de conhecer pessoas que viviam a mesma situação de dúvida com sua sexualidade, problemas de autoaceitação ou simplesmente por viverem no armário. Outros similares e afins se aplicam. Seis meses atrás me permiti nascer de novo e começar o mais do zero possível. Escondido, mas consciente. Receoso, mas corajoso... e não, não é incoerente, pois a coragem é fazer e ir atrás quando se está borrado de medo.



Começou uma avalanche na minha vida pessoal, na qual me encontro até agora. Permiti explorar minha sexualidade como jamais sonhei. Bom... eu tinha imaginado bastante. Posso dizer que, este blog (inspirado por outro blog que acompanhava já havia oito meses, na época) me proporcionou muito mais do que abordar temas que me incomodavam e ganhar valiosas opiniões sobre cada um. Por aqui, vim a conhecer pessoas de grande mente e espírito. Pessoas cuja identificação (e isso acontece de várias formas) aconteceu tão rápido que, sem perceber, ganhei amigos com A maiúsculo. Longe de qualquer julgamento, de um jeito natural. Aqui, só vale a sinceridade. Por isto, meus caros, muito obrigado!


E como problemas são relativos na vida, toda sequência de fatos incorre em, necessariamente, novas perspectivas, novas direções e novos pontos de conflito. Hoje em dia, minha sexualidade segue a pauta. Estou aprendendo a cada dia me cobrar menos em relação à decisões. Tem coisas que são difíceis. Preto no branco é sem graça. Melhor colorido e em degradê. Rsrsrs. Tudo lindamente misturado. Sendo assim, tenho outros paradigmas agora. Tenho sofrido para juntar as duas partições que minha vida ficou. Uma vida "dupla" dá trabalho. Inventar desculpas para escapar de compromissos no lado A para deixar o lado B ser feliz pode ser muito estressante. Sair duas vezes no fim de semana para atender os dois lados, duas vontades diferentes. Velhos amigos, novos amigo. O que fazer quando a nossa própria felicidade e bem-estar tomou conta de um pedaço tão grande de nós que aniversários são esquecidos? E até entes queridos descem na lista de prioridades? Se descobrir... não, sempre me fui descoberto, acho que permitir é a palavra que melhor atende à minha situação de vida emocional específica... é como se fosse receber a nota de uma prova que se estudou muito, mas que se tinha medo de ser reprovado. É uma sensação de abertura no peito. Sinto, hoje, uma força tão grande em mim que tenho a sensação de que posso fazer qualquer coisa. É libertador.



Nesses seis meses, como já falei, vivi experiências e conheci pessoas virtualmente e pessoalmente (e, incrivelmente, os virtuais são tão presentes quanto) tão especiais que não encontro palavras para descrever. Mas, posso dizer com segurança, as quero por perto por muito tempo. Talvez pelo fato de que minha família é um pouco complicada, meus amigos sempre tomaram um lugar muito grande no meu coração e uma importância maior ainda na minha vida. Os considero mesmo família. São a melhor que tenho. Não sou o tipo O POPULAR, capitão do time de futebol, nem nada, mas venci minhas dificuldades de fazer amizade da adolescência e fiz alguns também não tão poucos amigos. E esse número cresceu no período de nosso balanço. Hoje, sofro porque quero unir meus dois lados. Esconder da família não me machuca 1/5 do que esconder deles. E quero dar a devida importância aos novos, pois em pouco tempo eles se tornaram fundamentais para mim. Ontem, por exemplo, conheci mais uma amiga através de um amigo. Fotos e status em facebook me mencionando. Tudo represado na Análise da linha do Tempo. Não é por isso, exatamente, pois a exposição não é o ponto, mas consigo fazer uma ponte simbólica com a palavra "represado". Já represei demais, não tem comporta que resista.



Agradeço pelos últimos seis meses a todos que aqui estiveram, mais ainda aos que mandaram email, mais ainda aos que comentaram e mais ainda aos que viraram amigos. Recomendo aos que apenas lêem que comentem, que mandem email, que, POR FAVOR, falem, conversem. Ninguém está sozinho nessa. não precisa ser comigo. Com outros. Se a criatura se propôs a isso, ela espera isso.

Abraço

domingo, 7 de julho de 2013

This Modern Love

Continuando a onda de contar um pouco mais da minha evolução pessoal, chegamos ao capítulo de hoje. Ele é um resumo das últimas semanas, nas quais tenho focado muito em unir os dois lados da minha vida. O que todos conhecem e o que eu tive que criar para experimentar de forma "anônima" a minha sexualidade. O anônimo era um guri medroso que foi crescendo e, de vez em quando, pode ser bem turrão e dono de si. Ele cresceu demais para ficar tão amassado dentro do armário. Começou a precisar abrir um pouco a porta do armário.


Há muito que me incomodo em mentir para meus amigos, como já falei. Estava pesado demais. Nesse ano, uma amigona de muito tempo se tornou mais próxima ainda, por "n" motivos. Então, foi a escolhida. Na verdade, escolhida não é a palavra. É mais uma questão de merecimento. De não ser justo da minha parte não confiar nela e, diga lá, mentir. Uma vez tomada a decisão de contar, foi uma questão de tempo. De esperar a oportunidade. E ela se deu nessa semana que passou. Por coincidência, ela me ligou convidando para comermos alguma coisa à noite (moramos no mesmo quarteirão). Pedimos aquela pizza e, depois, perguntei se ela estava disposta a fortes emoções naquela hora. "Sempre."


Não vou me alongar. Basta dizer que foi surpreendentemente mais fácil do que o melhor cenário que imaginei. A reação dela não poderia ter sido mais bacana. Foi simplesmente, absolutamente, natural. Agora é uma questão de me acostumar a contar as coisas para ela. E passar pelo momento um pouco mais difícil de levar ela para uma festa gay. Porque sim, não tenho escolha. hahaha

É muito bom se sentir aceito. O mais engraçado dessa sensação é o fato de que nada mudou.

E você, para quem contaria?


Boa semana!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Manifestações

Em meio a essa manifestação nacional e internacional, uma muvuca tão linda e inspiradora como todas as que geram os pensamentos mais inovadores e mais difíceis de se encarar, as quebras de paradigmas, me encontro em uma manifestação pessoal muito forte também. Já falo sobre isso. Antes, não posso deixar de comentar o nosso Brasil.


Sinto um orgulho muito grande desse novo movimento. Vejo a importância que ele está tendo de várias formas. Uma delas foi me tirar da inércia e indiferença que sinto há anos, votando nulo eleição após eleição por simplesmente não acreditar em nada e ninguém. Individualista e mau cidadão? Talvez. Provavelmente, até. Mas, ora. Foi o que aprendi vendo defecarem no país ano após ano. Vendo preconceituosos ganharem palco como se fizessem os melhores stand up comedies. Well, este tempo passou. O #AcordaBrasil serviu para me acordar também. Sinto que posso fazer a diferença de novo e tenho vontade de me politizar novamente como já fiz um dia. Porto Alegre tem dois protestos essa semana. Espero estar presente nos dois. Vamos mudar o país.



O Infelizciano tem uma atenção minha a mais, devo dizer. E, não se enganem. Ele nem homofóbico é. É tão cretino que usa essa plataforma apenas para conseguir platéia (que acho que não tem mais acento) para seus planos futuros. Ou seja, o desgraçado consegue ser tão maquiavélico que é pior do que se fosse só homofóbico. Ele espalha o preconceito para subir de posto. Os homossexuais são só um degrau para ele. Mas, a César o que é de César. Eles passarão, nós passarinho, parafraseando Mário Quintana.

 
Já nas minhas manifestações pessoais, chego num limiar bem interessante. O aprofundamento da minha vida homossexual me obriga a pensar muitas coisas diferentes. Fui aconselhado a contar mais minha história aqui para que possa ajudar algumas pessoas. Criei meus pudores com o blog, preciso confessar. Talvez por ter me aproximado bastante de algumas pessoas que conheci por essas bandas. Talvez nada a ver. Mas, pensando bem, acho que é, no mínimo, uma dívida que tenho com essa parte do mundo aqui. Afinal, se não fosse acompanhar um blog por um período de aceitação bem difícil, não sei se estaria no ponto onde estou hoje. Se teria evoluído como evoluí nos últimos 6 meses. Muita coisa acontece e não vem pra cá. Vou tentar mudar isso um pouco. Não esperem o diário de um adolescente. Mas, quem sabe?


Nos últimos tempos, conheci vários caras. Uns se tornaram amigos, outros foram só casinhos, one night stand e coisas do tipo. Uns nem vi em carne e osso até hoje. Apenas pelo saudoso msn e odioso skype. Outros passaram de fase e foram para o facebook. Outros são amigos aqui em POA mesmo e são parceiros de festa gay. Parece incrível de início, mas quando penso com mais calma vejo que faz todo o sentido, mas esses novos amigos se tornaram parte importantíssima da minha vida. Uma conversa com eles vale mais que dez com meus amigos "oficiais". Porque com eles me sinto quem eu realmente sou. Não preciso cuidar respostas em assuntos que prefiro não falar.


Enquanto isso, meus amigos "oficiais" e eu acabamos ficando mais afastados do que eu gostaria. Meu lado B ganhou mais espaço em minha vida que o A. Disparado. E já tá na hora de começar a colar esse monte de peças. Porque vida dupla é para quem faz coisa errada. E eu, definitivamente, não estou fazendo nada errado. Tenho mentido muito para pessoas muito importantes para mim para viver o que, de fato, é a minha vida hoje em dia. Isso não mais me faz bem. A adrenalina é excitante no início, até cansar. Estou errado em duvidar da reação de pessoas que me dão motivos para confiar todos os dias. Vou contar para a primeira pessoa do mundo "real" (que uma vez foi). Hoje um desses amigos me lembrou de uma frase que eu sempre disse muito. Em algum ponto, eu tinha esquecido dela. A vida é uma só. Não a deixemos para trás.

Abraços

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Curioso

Curioso em saber das pessoas que lêem sempre e não comentam. Lugares distantes. Brasileiros fora? Or not? Apresentem-se. rsrsrs

Abraços


sábado, 8 de junho de 2013

Damaged Goods

A criança é pura. Nada melhor para limpar a alma da gente do que escutar aquela gargalhada incrível de um bebê. Absolutamente natural, absolutamente pura. Sem maldade. Bom, em algum momento dá merda.


Me lembro de enxergar a maldade nas pessoas desde os meus seis anos. Claro que eu sempre estive rodeado por gente maldosa pra caralho. E sim, estou me referindo aos dois lados da minha família. Que me cercou até meus 17 anos, certamente. Só aí eu consegui cortar (um pouco) laços. Laços que já nem tinha mais, apenas por culpa. Ao natural, me desvencilhei e fui cuidar da minha vida. O afastamento acontece por osmose (só que ao contrário) quando não temos ligação nenhuma, a não ser a falsa obrigatoriedade que o sangue nos impõe. Bobagem. Minha família é bastante resumida hoje em dia. E é maior com aqueles que não tem o mesmo sangue que eu, provavelmente. Família se define por quem nos acolhe e ama sem obrigação. Talvez todos tenham nascido puros e o meio os deturpou. Talvez nada disso e algumas maças tenham nascido podres mesmo.

O último mês provou o quanto conquistamos pessoas. Geralmente, e desta vez não é exceção, percebi que ganhei quando, de certa forma, perdi. Clichê afu, mas é assim com todo mundo, nao adianta negar. A sensação de perda tem um poder enorme de epifania. A parte de perda veio de alguns damaged goods, mas a parte do ganho veio ao natural.

Dito isto, acho que é bem fácil entender meus receios na integridade e postura empática dos outros. Mas, me esforço para me abrir e me entregar mais. Ao ponto de desconstruir ideais. Enrolei até aqui para chegar no ponto principal. Sem me dar conta, tenho conseguido desconstruir os parâmetros que construí para mim mesmo. Ora pois, já diria qualquer português, todos criamos os nossos. Fato é que criei os meus bem longe da realidade. Considerado pelos mais próximos um juiz quase, tenho me posto em conflitos internos por relativizar a ética. Sempre cuidadoso com o sentimento dos outros, tenho sido um tanto egoísta e filho da puta, até. Mesmo a favor da transparência, aprendi a ser falso com quem merece... ou que não merece mais que isso.

Baboseiras à parte, em breve, prometo, posts mais concretos.

Abraços

domingo, 19 de maio de 2013

Dias intensos

Confesso que fico um pouco frustrado com a correria que a vida leva a gente. Nós últimos dias/semanas as coisas andam atropeladas, na falta de descrição melhor. Hoje, para quem está em Porto Alegre, dá para aproveitar a chuva pra ficar na cama botando a cabeça em ordem. No caso, o meu caso.



Recapitulando:

Cabaret Voltaire pegou fogo;
Inês Brasil virá a POA, graças ao nosso senhor Jesus Cristo;
MC Beyonce esteve aqui;
Passou o dia das mães;
As obras da copa seguem atrasadas;
O leite estragou;
O casamento gay foi aprovado. Diante de Feliciano e Malafaia, salve, já diria IB;
Agora temos mais uma rede social. Bem-vindos à Web 3.0 e ao Teckler. Que fiquemos ricos.

Dias intensos. Tento matar a fome que minha ansiedade gera. Fome em um sentido metafórico, que me deixa desfocado. Vejo que me aproximo de um momento de verdade. Sentir-se em dívida com alguém pode ser muito esclarecedor. Nossos valores ficam mais claros. Como sempre, uma visita à cidade natal traz muitos assuntos à tona.
 


Enquando isso, assisto Queer As Folk que parei na segunda temporada, depois de ter sido pego assistindo pela minha mãe. Na época, eu devia ter uns 15 anos, ela não aceitou muito bem o fato de eu estar assistindo. Apesar de eu ter ganhado o Oscar pela atuação de indiferença, foi perturbador para ela. Parei de assistir. Achei melhor não correr mais o risco. Tinha esquecido disso. Lembrei há poucos dias. Para quem ainda não assistiu (a série acabou há um bom tempo já), recomendo muito.
Vamos acompanhar.

Boa semana!

sábado, 4 de maio de 2013

Não me salvem

Tem uma expressão do inglês que eu gosto muito. É aquela que diz: "I'm a people person". Bom, I'm a people person. Fico fascinado em descobrir pessoas novas. Conhecer suas expressões físicas e verbais é uma experiência que realmente me encanta. Tenho tido o prazer de conhecer pessoas por aqui pelo blog e pela internet de maneira geral, conforme cruzo minhas fronteiras. Essas pessoas eu fico observando na sua liguística. Me pego copiando suas palavras e hábitos e fico pensando na influênca que temos um sobre o outro. E vejo o quanto podemos fazer desse Brasil um lugar melhor. Não quero politizar, mas estamos precisando, né? Eu, um grande apoiador da terapia, fico enojado de ver que a "cura" da homossexualidade está em pauta e sendo "liberada" para aqueles menos afortunados intelectualmente. Que também tem direito de cursar Psicologia e ir "tratar" alguns de nós. O fato é que, temos muita influência no próximo. Então, tratemos essa possibilidade com a nobreza que ela merece.

Não falarás merda ao próximo.

Temos por hábito (mau humorado) no dia-a-dia chamar aquele cara que a gente não vai com a cara de "bundão", "palhaço" e por aí afora, mas, efetivamente, quem somos nós para fazer isso?



Tenho falado nisso bastante, eu acho, mas é que realmente me pesa muito as pessoas na minha vida. Para o bem e para o mal. Se me dedico e me aproximo é porque me fazem bem. Senão, porque não. Romances? Bom, acho que é salvo dizer que os tenho evitado há bastante tempo. Porquês a responder. Mas, aqueles que ganham a minha atenção é porque são diferentes e me interessam mesmo.



Amizades florescem. Surgem novas e as velhas incrivelmente se renovam e buscam nova forma. Paixonites antigas dão sinal de vida. Mas, a nova vida briga por lugar. O caminho era sem volta mesmo. Ainda bem! Porque aqui estamos e, diga-se de passagem, muito de bem com a vida. Um conforto sem muita explicação dá a segurança que se buscava.

So baby, don't save me.



Don't Save Me - Haim

Never thought that I would grow so old of seeing the gold
Still I never want it to go
I would hold it up to my cold heart
Feel the way it used to start up

Take me back, ta-ta-take me back to the way that I was before
Hungry for what was to come
Now I'm longing for the way I was

You say you will, say you will save me
You say you will, say you will save me
You say you will, say you will save me
You say you will, say you will! Ah oh!

Take me back
Give it up, give it up to me
Cause I cant go on if your love isn't strong
See I want it all
Give me, give me all your love
But if you can't hold on

Then baby, baby don't save me now, no
If your love isn't strong
Baby! Don't save me now, no, no

All my life I wasn't trying to get on a high way
I was wondering which way to go
Spending all of my damn time
Leaving all the weight behind yeah
Take me back, ta-ta-take me back to the song, how'd it used to go? Oh?
Screaming for what was to come,
Now I'm dreaming 'bout the way I was

You say you will, say you will save me
You say you will, say you will save me
You say you will, say you will save me
You say you will, say you will! Ah, oh!

Take me back
Give it, up give it up to me
Cause I cant go on if your love isn't strong
See I want it all
Give me, give me all your love
But if you can't hold on,

Then baby, baby don't save me now, no
Baby don't save me now, no, no

And if I had to beg for your love
Tell me, tell me
Would it ever be enough?
Te-te-tell me
And if I had to beg for your love
Tell me, tell me
Would it ever be enough?

So baby, don't save me
No Baby, don't save me
Baby, don't save me now, no, no
Baby, don't save me now, no, no
Baby, don't save me now no, no
Baby, don't save me now no, no, no
Don't save me
Don't save me

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Abertura, aproximações e mudanças

Como seres humanos acho que podemos lamentar o quanto estamos aquém do que imaginamos. Quem pensa só um pouco, consegue ver fácil. Convenhamos. Vivemos em um mundo em que não fazemos nem metade do que gostaríamos, muito em parte pelo que pode parecer ou os outros pensarem. Somos uma sociedade adoentada, é impossível não assimilar e aceitar este fato. Mas, não por isso, podemos nos render. Pelo contrário, falo isso por estar em um momento bastante inspirado e confiante. Por quê? Bom, reconhcer o alcoolismo é o primeiro passo para se curar dele. Mas, isso foi uma metáfora. NÃO SOU ALCOÓLATRA, tá? Talvez tenha tendências, mas nem por isso perco meu valor. rsrsrs. Contudo, considero que vejo o mundo de maneira diferente da massa, assim como a maioria que passa por aqui, por motivos que já falei antes. Assim sendo, acho que eu tiro a cabeça para fora d'água e vejo um pouco menos turvo, dentro de minhas limitações, óbvio.



Dito isso, tem me chamado a atenção de como temos o poder de mudar o curso das coisas apenas com atitudes positivas. Quando nos abrimos um pouco mais, permitimos que os outros nos vejam de uma forma ampla e tenham a chance de conhecer nosso melhor e nosso pior. Aí se vê quem vale mesmo o nosso esforço. E, em um estalar de dedos, a gente se dá conta de novas pessoas que estão tão próximas sem que tenhamos nos dado conta antes. Será que foi tão rápido assim? Não sei, mas a sensação diz que sim. Aquela sensação de conhecer pessoas novas, descobrir seus mundos, seus anseios e aspirações, de começar a prestar atenção nas pequenas coisas, valorizá-las. Piadas curtas, gargalhadas longas.



Os laços que unem as pessoas são detalhes, geralmente, tão deixados de lado na correria do dia-a-dia, que nem lembrados são. São feitos de olhares de cumplicidade, mensagens toscas no meio da manhã, imitações do chefe, críticas de filmes. É a sexualidade. É o simples fato de entender alguém sem cobrar porquês e lembrar deveres. Música. Tudo tão tênue, lindo e simples.



Vejo uma frieza assustadora entre pessoas que se veem diariamente, às vezes. Falta de abraços. Ora pois, beijos e sexo sem culpa. Quem nunca foi atingido ou praticante dessa frieza? Outro dia, fui assistir o lançamento do #OccupyLove. Foi muito legal ver tanta gente reunida na rua pela mesma coisa. Ninguém se conhecia, todos estavam próximos. Não precisamos sucumbir a essa excessiva secura de vida que o ritmo do mundo nos impõe. Temos que saber onde está o nosso botão de ligar e desligar o lado humano. E usá-lo. Quando desligarmos, não precisa zerar tudo. Podemos continuar com o sorriso no rosto. Cara de bravo não ganha tanto jogo quanto um sorriso.


Fiquei bonito na foto?


Bom final de semana e uma boa semana próxima.

Abraços

sábado, 13 de abril de 2013

O que faz um bom homem?

Will you tell me now?


O que faz um bom homem? Acho que essa é uma pergunta que tende a pairar sobre todos que chegam à idade adulta e a uma maturidade razoável. Essa última, por experiência própria, imagino que comece a chegar mais perto dos 30. Desculpem, mas até então, acho bem difícil. Já li e ouvi várias coisas que apontam que os homens alcançam uma inteligência emocional adulta quando chegam na casa dos trinta. Acho que sempre fui mais maduro do que a minha idade, mas não sei, acho que isso foi em outros tempos. Hoje acho que estou bem de acordo. E vocês?

Sobre o que faz um bom homem, é um tópico que dá muito assunto, mas acho que a resposta vem de dois lados. De dentro e de fora. Ora, pois. Temos toda a tormenta de valores sociais impostos e cultivados para avaliar e assumir um "grupo" ao qual nos dizemos pertencer. Assim como, temos tudo aquilo que acreditamos e ao longo da vida entendemos como ser o que verdadeiramente nos serve e atende. Esses são os mais valiosos e nem sabemos o quanto podemos brigar por eles quando chega a hora.

Cada um constrói a si mesmo e aceita os valores que sente serem os corretos. Mas, será que cada um de nós tem clareza do que considera bom? A resposta se constrói junto. Não sei se todos conseguem enxergar isso. Mas, para aqueles que são levados a pensar mais sobre sua existência até chegar a uma auto-aceitação, como é o caso de vossas senhorias, caros leitores, acho que sim e que quem passa por isso consegue se elevar a um nível mais alto na escala evolutiva (assumindo aqui uma postura so called 'evolucionista'). Principalmente, porque somos todos obrigados a olhar "the big picture" de uma forma que a maioria não está acostumada. Portanto, fiquem felizes de pertencerem a um "gênero" que acaba tendo um currículo com mais disciplinas obrigatórias. hahahaha

Bom fim de semana e boa semana!

sábado, 6 de abril de 2013

Das paixões e do tesão

Quais os homens (e mulheres) que os causaram a primeira paixao e tesão na vida? Essa é sempre uma pergunta que vem quando se aborda o assunto. Escuto falar muito da influência da nudez na frente da criança, o quanto pode induzir a excessos (excessivos e recessivos mesmo). Quando eu penso, ligo tudo direto às primeiras masturbações, porque né... Mas, me bate uma dúvida, qual o conceito de masturbação? Eu comecei a me masturbar como manda o figurino com uma idade, mas, na verdade, muito antes disso. Aliás, eu me lembro das primeiras "viagens exploratórias" desde muito novo. Desde meus 3 anos, acredito. Juro. Deus salve a fraldinha que usava para pressionar meu pênis até chegar ao, então, "orgasmo". Isso é demais? Não sei, mas era muito natural. No entanto, eu sabia que tinha que ser escondido. Vamos aos porquês.

Venho de um ambiente familiar onde nudez e sexo são banalizados. Meus pais sempre andaram pelados ou semi na minha frente. Falar de sexo, e me refiro a descrição de detalhes sórdidos, sempre foi algo comum (em um lado da família apenas, faça-se justiça). Acho que justamente por isso, acabei entendendo que tinha que me dar aquele prazer na calada da noite, na minha cama já. E salve a fraldinha. Nesse mesmo lado da família, peguei algumas vezes uma prima se dando o mesmo prazer, porém apenas colocando as mãos no meio das pernas. Ela, ao contrário de mim, agia sem se dar conta do que estava fazendo (acho eu né!), pois nunca se abalou com a minha presença e ficava ali... na maior. Acho que isso dá um panorama familiar interessante para encerrar a questão do "escondido". Então, vamos às paixões e o tesão.



No começa da descoberta da sexualidade, tendemos a unir as duas coisas. Me refiro à infância, ok? Acho que sempre por uma admiração, acima de qualquer coisa, pela outra pessoa. Na minha história, lembro de dois pontos que me marcaram na descoberta da minha sexualidade e nos meus primeiros auto-prazeres. Um ponto, mais no início, mas depois da fraldinha, foi uma tara pela minha dinda. Passava muito tempo na casa dela enquanto minha mãe trabalhava. Ela nunca fez nada da vida, então, cuidava das crias todas. Enfim, um ser que pensa em sexo acima de qualquer coisa, ela, se comporta como tal. Adepta da linhagem semi-nua, andava muito de sutiã apenas na nossa frente. Hoje, acredito que ela sempre nutriu um certo prazer em se expor para os guris daquele jeito. Ainda antes de gozar, propriamente dito, lá pelos 9 anos, eu me masturbava imaginando ela caminhando na minha direção mexendo nos seus seios fartos. Era demais. Não sei dizer ao certo quanto tempo demorou para passar, mas não foi muito eu acho.


O outro ponto que me marcou foi aos 13 anos. O clássico caso do colega de colégio. Ele era mais velho, uns 16 ou 17 (escola pública). Da turma dos repetentes, cabelos compridos, estudioso (pasmem), queria passar na mesma prova que eu para uma escola ténica. Trocávamos notas de estudo, cada um do seu cursinho preparatório, e ele, ao contrário dos outros repetentes que não queriam nada com nada, me tratava como igual e era meu amigo. Acho que por ele eu fui um pouco apaixonado. Sem nem me dar conta. Eu idolatrava ele. Por causa da calça jeans branca dele eu pedi uma para a minha mãe (eram os anos 90, gente...). Ele foi motivo de muita masturbação na oitava série. Nenhum de nós passou na prova, não soube para que colégio ele foi. Mas, anos mais tarde, no dia do meu aniversário de 17 anos, encontrei ele em uma festa. Completamente drogado, nem me viu. Que choque que deu em mim.

Acho que aqui eu resumo minha história de paixão e tesão, em seus estágios iniciais. E vocês?

Abs.


Mate os seus heróis

Se a Páscoa é para renovação, espero que estejam todos renovados. O bom da renovação e da mudança é que mexe na perspectiva e permite que se olhe para o passado com olhos mais críticos e menos ansiosos. Permite que se olhe para o futuro sem a necessidade de ver tudo resolvido. Porque, no fim das contas, não faz diferença. A vida de cada um é única e ninguém vai trazer resposta para a gente.

Esqueçam seus ideais. Eles tendem a ser intangíveis e irreais.
Esqueçam os ideiais dos outros.

Matem seus heróis. Eles não são infalíveis.


Fly, fly, baby don't cry.

 
KILL YOUR HEROES
 
Well I met an old man
Dying on a train.
No more destination
No more pain.
Well he said
"one thing, before I graduate...
Never let your fear decide your fate."

I say ya kill your heroes and
Fly, fly, baby don't cry.
No need to worry cuz
Everybody will die.
Every day we just
Go, go, baby don't go.
Don't you worry we
Love you more than you know.

Well the sun one day will
Leave us all behind.
Unexplainable sightings
In the sky.
Well I hate to be
The one to ruin the night.
Right before your, right before your eyes.

I say ya kill your heroes and
Fly, fly, baby don't cry.
No need to worry cuz
Everybody will die.
Every day we just
Go, go, baby don't go.
Don't you worry we
Love you more than you know.

Well I met an old man
Dying on a train.
No more destination
No more pain.
Well he said
"one thing, before I graduate...
Never let your fear decide your fate."

I say ya kill your heroes and
Fly, fly, baby don't cry.
No need to worry cuz
Everybody will die.
Every day we just
Go, go, baby don't go.
Don't you worry we
Love you more than you know.

I say ya kill your heroes and
Fly, fly, baby don't cry.
Don't you worry cuz
Everybody will die.
Every day we just
Go, go, baby don't go.
Don't you worry we
Love you more than you know.

sábado, 23 de março de 2013

Das inversões de papéis

Vez ou outra sou obrigado a pensar nas inversões de papéis que acontecem. O mais clássico que vejo são os pais que viram filhos. As situações em que isso se evidencia são "n". Porém, vejo que cada filho reage de uma forma diferente. Uns tem a tendência a se rebelar, beber, usar drogas, serem reprovados no colégio/faculdade. Tudo isso sem perceber que são os maiores prejudicados. Outros, assumem o papel de mais responsáveis da relação, dando o colo, ao invés de receber; aconselhando, ao invés de ouvir palavras de serenidade. Estes, geralmente, acabam por ser os mais prejudicados nessa relação. Mais ainda do que os anteriores. Por interesses próprios, irei abordar o lado dos "responsáveis".



Sou muito freudiano, então, é difícil que eu não procure um motivo escondido em toda e qualquer ação e fala das pessoas. Deve ser uma característica de pessoas controladoras como eu. Sendo assim, penso que os que assumem responsabilidades e posições que não lhes cabe, possuem razões. Após alguns anos de reflexão, chego à conclusão que isso é, talvez em sua maior parte, um mecanismo de defesa. Esses "acolhedores" não abrem tanto espaço para papai e mamãe por puro amor e altruísmo. Somos, essencialmente, egoístas. Pois, somos todos animais (racionais, sim! mas animais). Mecanismo de defesa porque é uma forma eficaz de evitar que se veja o que temos que mudar em nós mesmos. É um isolamento natural, fácil, mas nada prático. É frustrante e falso.



Uma dose de egoísmo é saudável. Mais que isso, é imprescindível a uma vida plenamente feliz. Mudar o curso de relações consolidadas, especialmente entre pais e filhos, é muito difícil. Apesar disso, quando a decisão é tomada conscientemente, torna-se mais fácil mudar a rota. Ainda não achei uma receita suave. Adotei a postura do "pisa fundo e vai". Quando faz sentido, a gente tem que confiar. Já disse várias vezes que acredito em mim (muito) acima de qualquer coisa. Logo, comecei a confiar nos meus intintos.



Ontem fui pego de surpresa por uma visita, tarde da noite. A pessoa não tinha um plano na cabeça, nem um pingo de responsabilidade consigo ou com outros que poderiam ser afetados por aquela decisão adolescente. Tive a calma de ouvir o desenrolar da novena antes de opinar. Asneira não é comigo. Fui o responsável, sensato e acolhedor. Só que dessa vez fui por pouco tempo. Atropelei meio que de jamanta. Convenci no final, quando achei que nem tinha mais jeito. Hoje, diante de um certo descaso, faltou uma resposta. De mim para eu mesmo. Valeu o esforço? Porque teve esforço sim. Terá valido quando for a hora?

A gente cria, mas eles são do mundo.

sexta-feira, 15 de março de 2013

"Viagens" à parte...


Aproveitei uma viagem de trabalho essa semana para ver parte da família. Pequena, mas da qual tenho um primo e duas primas que gosto muito mesmo. Não sabia bem o que iria encontrar, pois já fazia algum tempo que não os via. Meu primo, que foi meu melhor amigo por muito tempo, apesar da distância, agora é papai. Não conhecia a filha dele ainda, então fomos quase que direto lá conhecê-la. Um amor, mas minha surpresa é que já não sou tão fã de crianças. Sempre me amaram e sempre babei na volta. Já faz um tempo que percebo que isso mudou um pouco. Estranho. Talvez seja meu novo prognóstico agindo. Não sei.


Duas relações me chamaram muito a atenção nessas intensas 24 horas.

A primeira: a minha e do meu primo. Antigos confidentes, trocávamos depoimentos e éramos suporte um do outro na descoberta de nossa sexualidade (ok, eu nunca contei a minha inteira), a história adolescente da primeira vez, a descoberta da capacidade de proporcionar o orgasmo feminino, o esforço para atender às demandas de orgasmos múltiplos logo em seguida. Éramos íntimos. Virávamos noites conversando. Preciso confessar que, conceitos incestuosos à parte, sempre tive uma atração por ele. I would, really. E, por um bom tempo, alimentei uma ideia de que ele toparia alguma coisa se eu propusesse. Na verdade, acho até hoje que, na época, ele would também. Hoje em dia, bom, a vida mudou, em especial a dele. Entre nós, um afastamento natural se instalou devido à distância e realidades bastante diferentes... em vários sentidos. Embora nosso carinho um pelo outro permaneça (estamos sempre trocando abraços e sorrisos), inúmeras vezes veio aquele silêncio meio constrangedor, sem jeito para falar sobre sabe lá o que se queira. Não consegui chegar a uma conclusão.



A segunda: minha prima e o namorado. Vejam bem, já exprimi meu total e absoluto desinteresse por religiões. Se falar na católica, então... bom, deixa assim. Mas, por lá, rola um catolicismo forte. A vida inteira ela nunca apareceu com guri nenhum na família. Até que chegou esse. Numa caminhada, só com ela, ouvi os seus planos futuros de casar em três anos, se mudar para o interior, ter filhos, e todo o pacote da felicidade padronizada (nada contra, ok?). Até aí, beleza, mas me sinto obrigado a contar que quando o namorado dela me adicionou no facebook trocamos recados no maior estilo cunhados onde eu, fazendo o papel da piada sem graça, afirmava estar nas pegadas dele e ele me respondeu que não preocupasse, pois seguia Jesus. Com a diferença que eu acho que Jesus comia a Maria Madalena de tudo quanto é jeito e isso, para eles, pareceria pecado. O que me leva aos próximos pontos: acho que eles não fazem sexo. Ou fazem muito pouco e se confessam depois. Notei uma certa falta de intimidade de um com outro. Mas, não pára por aí porque eu apostaria que ele é gay. Talvez eu esteja desenvolvendo meu gaydar, não sei (aliás, aceito dicas de desenvolvimento. Grato.), mas desde que vi ele em fotos e etc me deu essa impressão. Ela é linda. Por um tempo (tempos atrás) me sentia bem atraído por ela. Parece que tô querendo pegar a família inteira, mas não é por aí. Acho que temos (eu e eles dois) um amor um pelo outro diferente do "regulamentado", não sei explicar.


Enfim, acho que este tipo de casal é bem comum. Não é o primeiro e nem o segundo que conheço. Merece um post único.

Na verdade, esse aqui vai acabar sem conclusão porque não tenho nenhuma mesmo. Talvez não seja para se chegar a uma sempre. Talvez seja uma questão de ir.



sexta-feira, 8 de março de 2013

Rapidinha

Hoje peguei um táxi, indo para uma reunião de trabalho. O taxista, um ogro. Viramos na primeira esquina e o demônio me larga assim: "ruhefff (som animalesco) Tudo que é mulher gostosa anda com um veado do lado. Já é a terceira torta de boa que vejo hoje agarrado num"

Segui mexendo no celular.

Por um segundo pensei que a mula tinha que dar de testa em um poste. Mas, aí, passou. Lembrei que eu estava no carro.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Simbolismos, pessoas e consciência

Dois meses sem ir para o interior, desde o reveillon. Dois meses, porém, em que a vida mudou bastante. Por fora, nada. Por dentro, tudo.

Acompanhado do melhor amigo, uma cerveja e uma volta pelos lugares de sempre, que marcaram o começo daquela amizade e momentos muito importantes da nossa vida. Em uma época em que as adversidades pareciam enormes e o futuro a solução. Mal se sabia que as coisas não são tão assim. O Chico, estava reticente. Algo em seu íntimo avisava que a noite não seria boa. Alguma coisa não se encaixava. Não eram as Conversas Vazias já citadas aqui, era diferente, um pesar. É um distanciamento tão grande, é ver quem se gosta parado, imóvel quase, fazendo as mesmas coisas sem se questionar. Sem gostar, talvez. Mas, quem sou eu pra julgar? Que lição posso dar?


Melhor amigo? Acho que não mais. Acho que o melhor está aqui hoje em dia, em POA. Acho, não. Tenho certeza. Que vontade e que medo de me abrir com ele.

Família? Fora minha mãe e meu irmão, evito. De maneira geral, dementadores, sanguessugas. Uns por mal mesmo, outros por estarem em um estágio bem atrasado na evolução ou humanidade, de acordo com as crenças de cada um.



O irmão, sempre bastante fechado, lembra um pouco a mim mesmo na idade dele. Máscara de forte, nunca chora, sempre sorrindo e com uma piada rápida. Tenho uma teoria de que quem está sempre sorrindo, guarda os maiores segredos e os maiores dramas pessoais. Qual será o dele? Eu não consigo me aproximar mais por falta de coragem de falar de mim.

A mãe, não consegue sair da vida que criou para si, que, diga-se de passagem, sequer parece feliz. O choro vem naturalmente quando encontra seu porto seguro, o primogênito. Sempre o forte, nunca o frágil. Quando ele chora, todos se assustam.


A vontade de voltar diminui a cada vez. É normal? Era para ser assim? Tem uma ponte marcante na entrada da cidade. Quando chego, ela me passa um conforto. Quando saio, ela me passa liberdade. São simbolismos difíceis de explicar. Somos pessoas distintas em diferentes meios. Mas, é isso mesmo? No ônibus, voltando, pesando todas as mudanças que a minha vida passa nos últimos tempos, sorri involuntariamente. Como sou feliz, apesar de toda a confusão, de toda a dificuldade. Eu estou consciente.